PF investiga Deolane por suspeita de lavagem de dinheiro em esquema de R$ 1,6 bilhão envolvendo MCs e influenciadores

  • 17/04/2026
(Foto: Reprodução)
Deolane Bezerra Marcelo Brandt/g1 A Polícia Federal (PF) em São Paulo investiga a advogada e influenciadora Deolane Bezerra Santos por suspeita de lavagem de dinheiro em um esquema envolvendo funkeiros e influenciadores que teria movimentado ao menos R$ 1,6 bilhão. A investigação mira uma organização criminosa que, segundo a PF, utilizava o setor artístico e o ambiente digital para ocultar recursos provenientes de bets ilegais, rifas clandestinas e tráfico de drogas. Na quarta-feira (15), a ação resultou na prisão dos funkeiros MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, além dos influenciadores Chrys Dias e Raphael Sousa (da página Choquei). Segundo relatório de inteligência, a conta da advogada funcionava como uma “conta de passagem” — quando o dinheiro entra e sai rapidamente, quase sem permanecer no saldo, o que dificulta o rastreamento. Até a última atualização da reportagem, a defesa de Deolane não havia sido localizada. Grupo ligado a MC Ryan SP lavou dinheiro do tráfico de 3 toneladas de cocaína, diz PF Movimentação financeira Entre 14 de maio e 30 de junho do ano passado, a conta de Deolane movimentou R$ 5,3 milhões, segundo o relatório de inteligência da PF. Nesse período, a advogada recebeu R$ 430 mil da produtora de MC Ryan SP e transferiu R$ 1,16 milhão para o Instituto Projeto Neymar Jr., além de fazer pagamentos que somam mais de R$ 1,1 milhão à empresa Sul Import Veículos. A PF afirma que a transferência recebida da produtora de MC Ryan “não aparenta ter justificativa comercial” e reforça a suspeita de que os dois compartilham um mesmo circuito financeiro. Há indícios de que esta transação configure uma evidência material do vínculo financeiro direto entre os dois investigados, demonstrando que o fluxo de caixa da produtora de Ryan, suspeita de misturar receitas de shows com recursos de apostas e rifas, irriga também as contas de aliados estratégicos que enfrentam investigações similares por lavagem de dinheiro e associação criminosa. O relatório também menciona que Deolane foi presa em setembro de 2024, em Recife, em outra investigação da Polícia Civil sobre lavagem de dinheiro ligada a apostas online e empresas de fachada. Operação Narco Fluxo A Operação Narco Fluxo foi deflagrada para desarticular uma organização criminosa suspeita de lavar mais de R$ 1,6 bilhão. A ação é um desdobramento de investigações anteriores, como as operações Narco Vela e Narco Bet, que apuraram o uso de apostas e empresas para ocultar dinheiro do tráfico internacional de drogas. Segundo a PF, o grupo teria ligação com o envio de mais de três toneladas de cocaína ao exterior. Ao todo, 200 policiais federais cumpriram 33 mandados de prisão temporária e 45 de busca e apreensão em oito estados e no Distrito Federal. A Justiça também determinou o bloqueio de bens e valores dos investigados. Bens apreendidos Carro de luxo, dinheiro e relógio Rolex apreendido em operação da PF contra funkeiros Reprodução Durante a operação, a polícia aprendeu: 55 carros de luxo e motocicletas (avaliados em mais de R$ 20 milhões); 120 armas e munições; 56 itens de joias e relógios (incluindo modelos da marca Rolex); 53 celulares; 56 mídias eletrônicas (computadores, tablets e notebooks); R$ 300 mil em espécie; US$ 7,3 mil em espécie (algo em torno de R$ 36 mil); Documentos e registros financeiros. Entre os itens de maior destaque estão uma Mercedes-Benz G63 rosa de R$ 2 milhões e uma réplica de um carro de Fórmula 1 da McLaren, encontradas na mansão de Chrys Dias. Na residência de MC Ryan SP, os agentes apreenderam um colar de ouro com a imagem de Pablo Escobar emoldurada pelo mapa de São Paulo. Como funciona o esquema Segundo a investigação, a organização utilizava o setor artístico e o entretenimento digital como fachada para "limpar" recursos ilícitos. O dinheiro tinha origem no tráfico internacional de mais de três toneladas de cocaína enviadas ao exterior, além de apostas em bets ilegais e rifas digitais clandestinas. Para ocultar os valores, o grupo aplicava técnicas complexas: Smurfing: Realização de centenas de transferências fracionadas em pequenos valores para evitar o radar do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf); Empresas de fachada e laranjas: Utilização de produtoras musicais, como a Bololô Records, e estabelecimentos como o Bololô Restaurant & Bar, para misturar receitas legítimas com dinheiro do crime; Criptoativos: Conversão de valores em moedas digitais para dificultar o rastreio das autoridades; Influenciadores de massa: Uso de figuras públicas com milhões de seguidores para movimentar quantias sem despertar suspeitas imediatas nos sistemas de conformidade bancária. Perfis de milhões de seguidores fora do ar Após as prisões, as contas oficiais de MC Ryan SP e do influenciador Chrys Dias no Instagram foram retiradas do ar. O funkeiro, apontado como o artista mais ouvido do Brasil no Spotify, reunia mais de 15 milhões de seguidores na rede social, enquanto Chrys Dias somava mais de 14 milhões. Atualmente, usuários que tentam acessar as páginas se deparam com a mensagem de que o conteúdo não está disponível. Questionada sobre a suspensão dos perfis, a Meta informou que não irá comentar o caso. O que dizem as defesas A defesa de MC Ryan SP afirma que o artista é íntegro, que todas as suas transações são lícitas e que os valores em suas contas possuem origem comprovada. O advogado de MC Poze do Rodo informou que ainda não teve acesso aos autos, mas que se manifestará na Justiça para restabelecer a liberdade do cantor. A defesa de Raphael Sousa sustenta que seu vínculo com os investigados é estritamente publicitário, referente à comercialização de espaço de divulgação digital. A defesa de Chrys Dias não foi localizada até a última atualização desta reportagem.

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/04/17/pf-investiga-deolane-por-suspeita-de-lavagem-de-dinheiro-em-esquema-de-r-16-bilhao-envolvendo-mcs-e-influenciadores.ghtml


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